Minha irmã roubou meu namorado porque eu era “gorda” — mas cheguei ao casamento dela com o homem que todos temiam.

Mauricio soltou um suspiro, fingindo que a verdade também o machucava, agindo como se estivesse sendo dolorosamente "honesto".

“Você engordou. Você não se veste mais como antes. Camila entende melhor esse ambiente. Ela é simplesmente mais… apresentável.”

Aquela palavra a atingiu como um tapa.

Mas perdê-lo não foi a parte que mais a magoou. A pior parte foi perceber que sua própria família já sabia.

Naquela noite, na casa de seus pais, no bairro de Del Valle, Valeria entrou e encontrou Camila sentada ao lado de Mauricio, tomando café tranquilamente com sua mãe, Dona Beatriz, como se nada tivesse acontecido.

“Não faça disso um drama, minha filha”, disse a mãe com um gesto displicente. “Camila é jovem, bonita e tem um futuro brilhante pela frente. Você sempre foi a forte. Você consegue lidar com isso.”

Valéria não gritou. Não atirou nada. Simplesmente tirou o anel de noivado na frente de todos, atirou-o com força sobre a mesa e saiu com a garganta em chamas.

Durante semanas, ela ignorou as mensagens. Mergulhou no trabalho, no silêncio e na humilhação.

Então chegou o convite.

O casamento aconteceria em uma elegante fazenda em Valle de Bravo, com trezentos convidados, mariachis, fogos de artifício e uma missa privada.

A mãe dela enviou uma mensagem de voz: “Valeria, por favor, compareça. As pessoas vão fofocar se você não estiver lá. Além disso, já está na hora de superar isso, minha filha.”

Naquela noite, Valeria saiu do apartamento sem saber para onde ia. De alguma forma, acabou no bar de um hotel de luxo na Avenida Reforma, vestida com um simples vestido preto, os olhos cheios de lágrimas que se recusava a deixar cair.

Ela pediu mezcal.

Ela nem sequer tinha levantado o copo quando um homem de terno azul se aproximou de sua mesa.

"Ei, gatinha, pode se mexer?", disse ele com um sorrisinho presunçoso. "Preciso desta mesa para algumas pessoas importantes. Pode ir sentar ali, fora do caminho."

Valéria olhou para ele. "Eu cheguei aqui primeiro."

O homem deu uma risadinha. "Ah, não seja tão dramática. Com um corpo desses, você já ocupa bastante espaço, não acha?"

Valeria sentiu tudo ao seu redor ficar imóvel. Era Mauricio de novo. Era Camila. Era sua mãe. Eram todas as humilhações que ela havia engolido, retornando na voz de outro homem.

Antes que ela pudesse responder, outra voz veio de trás dele.

"Desculpar-se."

A voz era grave, controlada e perigosamente calma.

O homem se virou, visivelmente irritado, mas no instante em que viu quem estava atrás dele, perdeu toda a cor do rosto.

Era Damián Robles.

Valeria o reconheceu imediatamente. Ele era um magnata da segurança privada, dono de hotéis de luxo, construtoras e clubes de elite. Era o tipo de homem sobre o qual as pessoas no México falavam em voz baixa. Alguns afirmavam que ele era bilionário. Outros murmuravam que ele era muito mais perigoso do que sua riqueza por si só.

“Sr. Robles… eu não o conhecia—”

“Agora você sabe”, interrompeu Damián. “Peça desculpas à senhora.”

O homem gaguejou um pedido de desculpas em meio ao pânico e praticamente fugiu do bar.

Valéria respirou fundo e calmamente. "Eu não precisava que você me defendesse."

Damián olhou para ela sem hesitar. "Eu não fiz isso porque você não conseguiu. Eu fiz porque os covardes me entediam."

Um riso triste escapou de seus lábios. Ela não entendia porquê, mas acabou contando tudo a ele. Mauricio. Camila. Sua mãe. O casamento, que aconteceria em apenas cinco dias.

Damián ouviu em silêncio, o rosto escurecendo a cada frase. Quando Valeria terminou, ele pousou o copo com firmeza silenciosa.

“Você vai a esse casamento.”

"Prefiro morrer."

“Você vai”, ele respondeu. “E você não entrará como uma vítima. Você entrará como a mulher que todos eles pensavam ter destruído.”

Valéria balançou a cabeça. "E o que você ganha com isso?"

O sorriso de Damián era fraco. "Às vezes, ver um homem arrogante cair diante de todos já é recompensa suficiente."

Valéria não disse nada. Mas naquela noite, pela primeira vez em meses, ela sentiu que talvez sua história não tivesse terminado, afinal. Ela não tinha como saber que aceitar a proposta dele transformaria o casamento da irmã no maior escândalo que sua família tentaria — e falharia — em abafar.

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