PARTE 4
Pensei que seria o fim.
Não era.
Quando cheguei ao meu apartamento, meu celular mostrava trinta e sete chamadas perdidas.
Minha mãe.
Meu pai.
Ryan.
Tia Carol.
Dois primos que não falavam comigo desde o funeral da avó.
Então os textos começaram.
Vocês nos humilharam.
Meu pai poderia ter sido preso.
Você arruinou a mamãe.
Você sempre faz tudo girar em torno de você.
Preparei um chá, sentei-me descalça no chão da cozinha e parei de ler depois das primeiras cinco páginas.
Às 23h42, Madison ligou.
A esposa de Ryan nunca tinha me ligado antes.
Quase deixei tocar.
Então algo me fez responder.
“Claire?” Sua voz era baixa e trêmula.
"Sim."
"Desculpe."
Fechei os olhos.
Duas palavras.
Simples.
Direto.
A língua mais rara da minha família.
"Para quê?", perguntei.
“Por esta noite. Por não ter dito nada. Por ter acreditado em Ryan quando ele disse que você abandonou todo mundo por causa de dinheiro.”
Olhei para as luzes da cidade.
“Ele te contou isso?”
“Ele me disse que você manipulou sua avó para que ela mudasse o testamento dela.”
Eu ri baixinho, sem humor.
“A vovó mudou o testamento dois anos antes de morrer. Antes de ficar doente.”
“Agora eu sei disso.”
Algo em seu tom de voz aguçou minha atenção.
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